INFORME FUI
Nenhum lugar é tão emblemático como o Japão. Uma cultura milenar, grande potência econômica, população gigantesca e sempre revelando estórias de superação e comprometimento com o coletivo. Tudo isso é experimentado intensamente quando se visita esse país. Em que outro lugar do mundo o pessoal de pista do aeroporto vai acenar para o avião que parte? Gente que tem a delicadeza de aceitar seu cartão de apresentação segurando-o com as duas mãos, de colocar bandejinhas para que você coloque dinheiro ou cartões numa compra, de saudá-lo quando entra ou sai de um recinto. São muitos os gestos de respeito pelo outro. E esse respeito é visto também com o entorno, com a natureza, mesmo que ela às vezes seja cruel com esse arquipélago... Tanto nas grandes cidades, como em pequenas comunidades, é possível ver esse cuidado que o cidadão tem com o lugar que vive. Tudo é bem cuidado, limpo. A estética seja das pessoas, do campo de arroz, ou de um templo é a mesma: esmerada. Embora seja um país futurista, de desfrutar no dia a dia das tecnologias mais avançadas, a passagem do tempo é indelével. Está marcada nos monumentos, nas crenças e nas artes. Os torii, que são os portais, quase sempre vermelhos que antecedem aos templos, também servem como entrada para o passado. A visitação de alguns dos incontáveis santuários xintoístas existentes nos permite ver de perto como são suas crenças, seus rituais, mas também como sorte e predição são presentes nas vidas desse povo. Nas ruas, gueixas (que continuam misteriosas para mim), mulheres em elegantes quimonos, homens com seus ternos pretos e camisas brancas (camisas brancas aqui são sinal de seriedade), moças com saias curtíssimas e saltos altíssimos. |
Fotos: Angela Güzey
Meninas e alguns rapazes também, com roupas teatrais, no mínimo excêntricas. Talvez no vestiário o japonês seja muito eloqüente. Fora isso parece ser um povo tímido, de gestos contidos e sempre gentis. |